ACORDÃO SÓ NÃO FOI PIOR POR CONTA DA PRESSÃO DOS MÉDICOS

8 de agosto de 2020

Conforme havíamos alertado no final da tarde quarta-feira, 05/08, mais um “acordão” ocorreu no Senado Federal com potencial nefasto para a saúde e para a medicina brasileira: a inclusão, de última hora, do PL 3654/2020, do senador Randolfe Rodrigues/AP, no relatório do PL n° 3716, para permitir a atuação de egressos de faculdades do exterior sem CRM, na manhã de quinta-feira (06/08), horas antes da matéria entrar no plenário.

No entanto, a pressão feita pelos médicos que ligaram para os parlamentares e pela própria AMB que estava em Brasília, explicando os riscos em torno do tema, surtiram efeito. A liberação para atuação sem CRM não foi incluída no relatório final.

No entanto, foi aprovado, por votação simbólica, acordada entre os líderes, dentro do PL 3716, a permissão para a participação de faculdades particulares na revalidação de diplomas de medicina. A participação das escolas privadas no processo já foi debatida no Congresso Nacional e já é Lei! “Um processo que é de fé pública e que deve estar blindado às influências do mercado de ensino médico”, saliente Lincoln Ferreira, presidente da AMB.

A AMB tem denunciado, há mais de um ano, o caos que ocorre com o envolvimento de faculdades privadas no processo. E apresentamos tudo isso ao Congresso Nacional, à Controladoria Geral da União, ao Itamaraty e à Procuradoria-Geral da República.  A Operação Vagatomia, da Polícia Federal já demonstrou parte do que ocorre. Então não há mais o que discutir.

“É um absurdo voltarmos a isso”, comenta Diogo Sampaio, vice-presidente da AMB. “Vamos atuar fortemente junto à Câmara de Deputados, em sintonia com muitos aliados da Frente Parlamentar da Medicina. Precisaremos mais uma vez da voz e da força dos médicos brasileiros para pressionar os parlamentares para votarem contra a participação das escolas privadas no processo de revalidação, incluído no PL 3716”, conclui Diogo.